sábado, 8 de abril de 2017

JALAPÃO: UM LUGAR PARA NUNCA MAIS ESQUECER

    Você deve pensar que não existe mais rio com água potável no mundo, muito menos no Brasil. Mas ele existe sim e fica na Região Norte do País, no leste do Estado do Tocantins, mais precisamente no Jalapão. Há muito tempo já ouvia falar e maio de 2016 foi o período escolhido para conhecer o lugar que muitos anunciavam como "a última bolacha do pacote".

  Depois de muita pesquisa resolvi contratar a agência Korubo, pois é a única que oferece hospedagem em local mais próximo do Parque Estadual do Jalapão. Esse é o site deles: http://www.jalapao.com/Safari.aspx. A experiência foi incrível. O serviço prestado é maravilhoso, desde as barracas, que possuem cama e vaso sanitário, a comida, que é preparada sempre no dia, e a cerveja, que estava sempre "trincando" (expressão utilizada por eles para dizer que estava estupidamente gelada). E, embora a energia de lá seja fornecida por gerador, acredite que foi a cerveja mais gelada que já tomei até hoje. Ao contratar os serviços da Korubo, você só precisa providenciar as passagens até Palmas, capital do Tocantins, pois o resto é com eles. 
   Nessa grande aventura contei com a parceria do Jeferson, que à época ainda nem era meu namorado e resolveu me acompanhar. Se você achou um parceiro para ir até o Jalapão sem nem saber ao certo o que iria ver por lá, acredite que esse é um parceiro para a vida. 
  O Parque Estadual do Jalapão é um daqueles lugares que você nem quer divulgar para que permaneça do jeito que está. Um local de natureza ainda bruta. Por lá tem dunas, cachoeiras, rios de água potável e cristalina e muita aventura.
  As distâncias entre as atrações não são longas, mas o percurso leva bastante tempo, pois as estradas são de chão e o caminhão da Korubo anda numa média de 30 km/h. Parece que existe uma vontade local para asfaltar as estradas por lá, mas espero sinceramente que isso não aconteça nunca. Deixem o Jalapão como está, pois esse é o grande atrativo da região. Assim ele realmente é a "última bolacha do pacote".



    Fizemos o roteiro de seis dias. No dia da chegada você dorme em Palmas, Ficamos na pousada Girassóis. Como chegamos tarde só deu tempo de sair para jantar, num restaurante chamado Quadra Contemporânea, que super recomendo.  
 


No dia seguinte, partimos às 9h de Palmas e paramos em Ponte Alta para almoço e troca de caminhão. Nesse não tem ar condicionado e lá faz muito calor durante o dia. Use roupas bem leves.




 Visitamos a cachoeira de sussuapara e chegamos no acampamento por volta das 17h.

acampamento

   Ficamos na barraca 14 e todo dia nosso despertador era um "barraca 14, bom dia"! Isso por volta das 6h da manhã e você acorda bem animado, acredite. Durante à noite não faz calor o que ajuda muito para dormir. No primeiro dia tivemos a visita de uma perereca que estava bem feliz dentro do vaso sanitário. Óbvio que fui eu que vi ela pela primeira vez. Daí foi a hora do Jeferson agir, afinal ele era o homem da barraca kkkk. 
   No terceiro dia estava incluída a canoagem no Rio Novo, um dos últimos com água potável do mundo, e a caminhada nas dunas para ver o pôr do sol. Que dia incrível!




               


      As águas são cristalinas. Inclusive é desse rio que sai a água para abastecer o acampamento, passando por apenas um sistema de filtro.
   


         As famosas dunas do Jalapão.






      No quarto dia visitamos o poço do fervedouro e a cachoeira da formiga. O melhor banho da viagem foi na cachoeira da formiga. A água era absolutamente transparente e de temperatura super agradável, pois como já disse faz muito calor por lá.
cachoeira da formiga

   


   E a cada final do dia presenciávamos um pôr do sol de encher os olhos!
 
No quinto dia fizemos a trilha do mirante da serra do Espírito Santo (8 km) e a flutuação no Rio Novo.
               
       
           A trilha não é tão simples. Exige um pouco de esforço. Para mim mais difícil do que a subida em si foi o calor. Não tinha nada de sombra durante todo o percurso. Mas a vista compensa.


Esse é o rio novo que nos proporcionou momentos maravilhosos.

  No sexto dia fomos até a cachoeira da velha e conhecemos a prainha, onde foi filmado o filme "Deus é Brasileiro", chegando a Palmas no final do dia.  



    Já estamos morrendo de saudades da barraca 14! Se você gosta de aventura não espere mais para conhecer o Jalapão. Com certeza é um dos lugares mais bonitos que já conheci até hoje.
   
  Assoviando no aeroporto: Foi um rio que passou em minha vida


terça-feira, 19 de abril de 2016

MAIS UMA VEZ NO PARAÍSO!!!!!


  Essa foi minha terceira vez em Fernando de Noronha. Passados sete anos da minha última ida, a ilha continua sendo um paraíso. Apesar das mudanças, como a construção de passarelas para acesso à Baía do Sancho, de inúmeros novos restaurantes e pousadas, da cobrança para o acesso em algumas praias, Noronha não perdeu sua beleza natural e continua sendo meu destino favorito até hoje.
  A maior mudança desde a última vez que estive por lá (2009) é que agora, para acessar as Baías do Sancho, do Sueste e dos Porcos, esta última somente para chegar ao mirante, já que o acesso pela praia, que se dá pela Cacimba do Padre, continua sendo gratuito, você terá que pagar R$ 89,00. O cartão é válido por 10 dias e tem que ser apresentado aos funcionários que ficam no acesso dessas praias. Para estrangeiros o valor é de R$ 178,00. 
   Mesmo já tendo ido três vezes, sempre tem algo novo para conhecer. Dessa vez fiz o mergulho de snorkel em Caiera, que super recomendo.
Caiera
    São piscinas naturais que se formam na maré baixa e, na minha opinião, tem bem mais vida marinha do que no Atalaia, outro lugar para mergulho de snorkel e que necessita de agendamento prévio porque o acesso diário é controlado. Em Caiera consegui ver tubarão adulto, tartaruga e inúmeros peixes de várias espécies. O passeio custa R$ 70,00, não precisa ser agendado com tanta antecedência quanto o Atalaia, e o acesso à trilha, que é bem curta, fica atrás do posto de combustível (só existe um na ilha, então não tem erro).

 

   Outra dica imperdível é o restaurante a Varanda, que, com certeza, foi o melhor que já fui até hoje. Ele é considerado o número 1 da Ilha no site do tripadvisor e realmente merece o título. A comida é maravilhosa, por isso não deixe de ir.



  O que acho que não vale mais a pena é o jantar chamado "festival gastronômico" que acontece nas quartas e nos sábados na Pousada Zé Maria. A qualidade decaiu significativamente desde a última vez que fui e o preço está bastante salgado (cerca de R$ 207,00 por pessoa). E depois de ir no restaurante a Varanda nada vai superar mesmo.
 Para mim o melhor passeio de Noronha sempre foi e continua sendo mergulhar com as tartarugas na Baía do Sueste.
 
Baia do Sueste


   
   A sensação é indescritível e dessa vez o mergulho foi registrado com fotos.








Além de tartaruga, tinha lagosta, polvo, tubarão e peixes, muitos peixes.







Na próxima encarnação quero ser uma tartaruga em Fernando de Noronha, definitivamente.










  A ilha continua sendo um destino caro, principalmente pela passagem aérea. Mas vale cada centavo. As fotos não me deixam mentir.
Praia do Leão

Baia do Sancho

Baia do Sancho

Cacimba do Padre

Boldró

Conceição




 A placa diz tudo: NORONHE-SE!!!!!!!!!!!!!!!!







   Acho que sou a pessoa mais apaixonada por Noronha que eu conheço, então sou um tanto suspeita para escrever sobre a Ilha, mas cada vez que retorno meu amor aumenta ainda mais.

 Assoviando em aeroportos:  Who you love - John Mayer








quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

TOUR PELO SALAR DE UYUNI


Li muitos mas muitos relatos de viajantes sobre esse destinho e confesso que fiquei com muita dúvida em ir ou não ir. A maioria das postagens narra perrengues, como motoristas bêbados, alojamentos em condições precárias, etc. Em seguida coloquei no google "salar de uyuni" e foi o suficiente para decidir. Partiu Bolívia!!!
  Vou encorajar você a fazer esse tour. Para quem gosta de natureza em estado bruto este é o destino perfeito. São as paisagens mais lindas da América do Sul, com certeza. A Bolívia é definitivamente um destino a ser incluído em sua lista, caso seja amante da natureza, é claro.
  Antes de ir minha maior preocupação era com os banheiros, mas, depois de ter voltado, digo que o mais difícil para mim foi a altitude e a comida. A primeira refeição foi salsicha com purê de batata (e para os vegetarianos, ovo com purê de batata). Mas não chega a ser tão ruim.
   Existem duas opções de pacote saindo de San Pedro do Atacama: de 4 dias e 3 noites (com retorno a San Pedro) e de 3 dias e 2 noites (você fica em Uyuni) em tour privativo ou compartilhado.  O privativo custa mais de mil dólares por pessoa e o compartilhado pouco mais de duzentos dólares. Com o dólar cotado a R$ 4,00, óbvio que optamos pelo compartilhado.
   Não se preocupe em contratar o tour daqui do Brasil, porque tem várias agências que fazem esse passeio com saídas diárias de San Pedro. Depois de ler inúmeros blogs, eu e minha amiga contratamos lá em San Pedro mesmo a agência Cordillera Traveller, que é especializada no Salar de Uyuni (http://www.cordilleratraveller.com/). Fizemos orçamento na Atacama Mística e na Colque Tours, mas não gostamos de nenhuma dessas. Não nos arrependemos de escolher a Cordillera. O nosso motorista foi ótimo. Pagamos 220 dólares por pessoa, incluindo alimentação e alojamento para o tuor de 4 dias e 3 noites. Você só vai precisar levar alguns pesos bolivianos, que troca em San Pedro mesmo, para a entrada dos parque.
  Itens de sobrevivência para levar no tour: papel higiênico, lanches e água. Eu ainda acrescento na lista o saco de dormir. Achei indispensável, seja pela higiene (ou você acha que eles trocam a roupa de cama todos os dias? esquece), seja pelo frio. Apesar de ter bastante cobertor, faz muito frio à noite. Temperaturas negativas, inclusive.  
   A Cordillera Traveller utiliza alojamentos próprios, que pareciam ser melhores que os demais.  
   Assim é o tour:
1º dia) Você sai de San Pedro perto das 8h em uma van passando pela imigração chilena. Depois se dirige até a imigração boliviana.

 Sim, a imigração na Bolívia é nesse lugar aí da foto ao lado. Um aviso: o país é bem pobre. Eu inclusive achei essa parte que conheci mais pobre que Havana em Cuba. Por isso não espere infraestrutura em boas condições em nenhum lugar. Mas o povo é educado e prestativo e as paisagens compensam tudo. Vai por mim! Afinal são apenas 4 dias de todo seu ano que vai ficar sem conforto. O que são 4 dias?


  A exploração do turismo, pelo menos nessa parte da Bolívia, só pode ser feita por nacionais, então na imigração temos que trocar de carro e motorista. Para nossa sorte o nosso condutor e guia boliviano da ida foi excelente. No retorno trocamos de motorista e também não tivemos problema.
  O próprio motorista prepara o café ali mesmo e em seguida, você parte para, na minha opinião, o melhor dia do tour.
  A primeira parada é na Laguna Branca.





A cor da água, que deu nome ao lago de sal, que possui 10,9 km², se deve pela grande quantidade de minerais suspensa nele.



  Depois segue para a Laguna Verde, que também é um lago de sal.

Tem uma área de 1700 ha e a cor da água também se deve aos minerais nela presentes, principalmente arsênio. Ao fundo fica o vulcão Licancabur, com 5868 metros.

Próxima parada: deserto de dali,que ganhou esse nome por conter paisagens surreais, assim como as pintadas por Salvador Dali.



 Conseguimos ver a viscacha, que é da família das chinchilas e se camufla junto às rochas.

  Se você tiver coragem, porque faz frio, pode tomar banho nas águas termais. Só não entre no banheiro desse lugar, por favor. Péssimas condições de higiene, pois não tem água por lá.



  A penúltima parada do dia é no geyser. É bem menor do que os geyser del tatio no Atacama, mas esse é mais bruto. Lembre-se, a natureza na Bolívia é praticamente em estado bruto. Aqui aconteceu um incidente com os calçados da minha amiga. Ela estava usando uma bota de neve e o solado foi corroído. O guia disse que nunca tinha visto. Provavelmente foi alguma reação química da boa com os minerais contidos no chão. Então, nada de usar bota de neve nesse dia.

 
 E o dia termina com a laguna colorada. Nada é tão lindo quanto este lugar. Quando me deparei com essa paisagem só consegui dizer UAU!!! UAU!!!! UAU!!!!


   A beleza da Laguna Colorada é tão absurda que você não consegue acreditar que exista um lugar assim. Nenhuma foto retrata isso.


 


   A cor da água é essa mesma. A foto não tem qualquer tipo de photoshop, juro. Ela é originada pelos sedimentos vermelhos e pigmentação das algas.




  E, para completar essa beleza surreal, as águas vermelhas são adornadas com inúmeros flamingos. Eu realmente amo flamingos e estava frustrada porque no Atacama não vi muitos. Mas aqui eles estavam por todos os lados. Fiquei sentada em silêncio agradecendo por estar nesse lugar abençoado. Até me emociono escrevendo. Não sei se vou ver outro lugar tão incrível quanto esse.





 Você sobe mais de dois mil metros em bem pouco tempo. Esse o primeiro dia é aquele em que algumas pessoas passam mal pelos efeitos da altitude. Recomendam que você beba muita água e chá de coca para amenizar os efeitos. 
O primeiro alojamento possui quartos compartilhados com seis camas (você fica com todo o grupo que estava no carro) e banheiro coletivo, sem ducha. Achei bem bom, pois estava esperando um lugar muito pior.



2º dia)  O dia começa visitando o deserto de sioli com a famosa arbol de piedra.


 Passamos pelas lagunas altiplânicas Honda e Canapa, onde paramos para almoçar. A comida foi arroz, atum e milho em lata e queijo (fria porque não tem onde esquentar).








Na sequência fomos a um mirador observar o vulcão Ollague, que estava ativo e tiramos fotos num trilho de trem, que mais parecia cenário de lugar abandonado. 






               


 Dormimos no povoado de San Juan num deserto de sal. Os quartos eram duplos e os banheiros compartilhados com ducha bem quente.





  Hotel de sal. Esse é considerado o melhor alojamento. O único inconveniente é que o chão também é de sal e não tem onde colocar as coisas. Então foi no chão de sal mesmo.




3º dia) Nos dirigimos até o salar de Uyuni, a maior planície de sal do mundo com 10582 km² . Paramos na isla incahuasi e fizemos um pequeno trekking para observar o salar de cima.
 Na imensidão do salar, os jipes parecem formigas.




Nos divertimos muito no salar e tiramos muitas fotografias brincando com a ilusão de ótica.











Fomos até a cidade de Uyuni para almoçar e demos uma volta para conhecer a cidade, que não é nada bonita, mas conseguimos observar um pouco do dia a dia do povo local.
Essa é a padaria, acredite.




Após paramos num cemitério de trem.

Nos dirigimos ao último alojamento, que foi o pior na minha opinião. Os quartos eram duplos e banheiro com ducha coletivo. Mas os banheiros não eram tão limpos e fez muito, mas muito frio à noite. Foi difícil dormir. Fico devendo a foto, mas cheguei tão cansada que esqueci de tirar. Mas ele não é muito diferente dos demais.   

4º dia) Dia de retornar a San Pedro e dizer adeus. Nesse dia não tem paradas. Chegamos perto das 13h em São Pedro. 

  Realmente acho que vale muito a pena fazer o tour do salar! Se você vai fazer o tour pelo Atacama aproveite e reserve quatro dias para a Bolívia. Mas faça o Atacama primeiro, por duas razões: No Atacama você vai se acostumando com a altitude e depois que você se deparar com as paisagens da Bolívia, pode não achar o Atacama tão incrível.
   Então, partiu Bolívia você também?????