domingo, 10 de novembro de 2013

SPRITZ EM SPLIT?

     Split é a segunda maior cidade da Croácia e  mais importante da região da Dalmácia. Está situada numa península na margem do mar Adriático.
 
 
 
     Confesso que eu entrava em todos os bares e pedia um Spritz e todo mundo ficava me olhando sem saber o que eu estava pedindo. E eu pensando, "como que não tem Spritz em Split?". Santa ignorância. Segundo a wikipédia, o Spritz é um aperitivo alcoólico que tem origem nos tempos da dominação austro-húngaro na região italiana de Friuli Venezia Giulia e na zona de Trieste. O drink não é desta região e os atendentes dos bares ficavam me olhando com cara de paisagem. Fiquei sem meu drink (mas em Dubrovinik tinha). 
     Em Split também não há muitos lugares a serem visitados.
  

     Fomos ao Palácio de Diocleciano,  imperador romano que mandou construir o Palácio e viveu nele os últimos anos de sua vida. Diocleciano foi considerado um dos maiores perseguidores do cristianismo. Dizem que os cristãos adoravam só a Deus e Diocleciano queria que os cristãos adorassem a ele também. Coisas de imperador. A denominada "perseguição de Diocleciano" (303-311) foi a mais sangrenta de todas, mas não conteve o crescimento da Igreja.
 
     


       


      Vale também a pena subir na Torre do Sino de St. Dominus, pois você terá uma vista de toda a cidade.
 
      


     Partimos rumo a Dubrovnik. E, se você estiver de carro ou ônibus, por favor, não durma na estrada. A paisagem é uma das mais deslumbrantes que já tinha visto na vida.
 




     E ainda você ingressará em solo da Bósnia e percorrerá todos seus cerca de 10 km de litoral. Sim, a Bósnia tem litoral. Eu confesso que não sabia. Viajando e aprendendo.








 

A PÉROLA DO ADRIÁTICO

     Realmente, Dubrovnik merece o título de "pérola do Adriático". A cidade fica localizada no extremo sul da Dalmácia e é uma das mais visitadas da Croácia. Fomos em baixa temporada e já estava lotada de turistas. Imagina na alta temporada!
  
    A parte da "cidade antiga" é rodeada de muralhas, que desde 1979 está classificada como patrimônio mundial pela UNESCO. É muito linda!!!! Recomendo o passeio de teleférico que te leva até o topo do morro e que te dará uma visão singular da "cidade muralhada" (94 kunas).

    



     Dubrovnik é um daqueles lugares que você diz "eu voltaria para cá certo". Bom, pelo menos eu pretendo voltar.

    
   

     Imperdível a caminhada pela muralha. Existem uns três percursos com diferença de tempo. Fizemos o mais curto de cerca de 2 horas, mas tendo em vista as paradas para as fotos levou um pouco mais de tempo.  Custou 90 kunas.


 




     


      


  O mais impressionante de tudo foi o pôr do sol, que foi o segundo mais lindo que já vi (o primeiro ainda é o de Fernando de Noronha...tenho um amor especial por este lugar, não adianta). Não deixe de estar em um lugar que permita que você veja o sol "caindo" no mar. O espetáculo começa por volta das 18:30 da tarde. Imperdível!!!!

 









        Sem mais palavras!!!!








     Dubrovnik é o ponto de partida para muitas das ilhas da Croácia. Lembre-se, são mais de mil. Uma curiosidade é que o cachorro da raça Dálmata veio da região da Dalmácia, sendo que a parte branca de sua pelagem representa a terra e as manchas pretas as ilhas. Pena que não vi nenhum cachorro por lá, apenas de pelúcia mesmo, vendido como souvenir.  
     Resolvemos escolher uma ilha para passar um dos dias livres que tínhamos em Dubrovnik. Pesquisamos um dia antes em vários blogs e resolvemos ir para Mljet. O barco, que pegamos no porto novo, levou um pouco mais de uma hora e custou (ida e volta) 140 kunas. O primeiro horário era 9:15h.
      Uma dica importante, não vá para um lugar sem estudar o que tem para fazer no local. Mesmo sabendo disso, nós cometemos este erro. Fomos empolgadas com as fotos que vimos, mas não nos preocupamos em saber o que teria para fazer lá. Como nenhuma das três falava o inglês em sua perfeição, a comunicação não foi fácil.  Ao desembarcar, nos dirigimos até a entrada do parque (tem que pagar para entrar na ilha) e compramos um ticket (mais 90 kunas). Dava direito ao transporte de van até o barco que levaria para as praias. Fomos no embalo das outras pessoas que estavam lá. Ao descer do barco em uma das praias seguimos um grupo a pé. Depois de caminhar por uns 20 minutos descobrimos que era uma excursão e não poderíamos continuar com eles, pois eles pegariam um ônibus sei lá pra onde. Tóinnnn. Demos meia volta volver e voltamos ao lugar onde o barco parou. Aí começou a dificuldade. Queríamos ir até um ponto que pudéssemos ter uma visão geral de cima das praias. Começamos a perguntar para uns guias do parque que estavam lá. Eles entenderam a nossa pergunta e nos indicaram uma trilha (Montokuc). Só que duraria mais de 3 horas e não teríamos tempo para isso já que o último barco partia às 16h para Dubrovnik. Então nos falaram que tinha uma outra (a Gradac) que nos daria uma boa visão das praias. E nós, felizes da vida, decidimos ir. Começamos a caminhada (sem mapa, sem água e sem sinal de celular - NUNCA FAÇA ISSO). Nós vimos a placa indicada e pegamos a trilha. Só que a placa estava meio que virada e indicou outra direção. Andamos por mais tempo que devia e começamos a estranhar. Depois de uma hora resolvemos voltar e depois de uns 10 minutos caminhando vimos uma bifurcação e as gurias perguntaram "e agora?" . Eu me controlei mas queria dizer "agora senta e chora". Eu não fazia ideia de qual era o caminho. Graças a Sabrina pegamos a direção certa, mas a gente não chegava nunca e eu estava numa pilha de nervos (tentando esconder das gurias, claro). Depois de caminhar bastante, a Mariana deu tipo um grito e eu pensei "ferrou". Só que não. Tínhamos achado a saída. Eu sentei numa pedra e minhas pernas tremiam sem parar (primeira vez na vida que tive medo de não voltar para casa nunca mais). A Sabrina se atirou em outra pedra e acabou sentando em cima do celular. Conclusão: um visor de celular quebrado e três gurias que prometeram entrar em todas as igrejas do restante da viagem (e olha que tínhamos toda a Itália pela frente com suas inúmeras igrejas) para agradecer ao nosso anjo da guarda por termos nos salvado dessa.
          
    


      Ainda sim recomendo a ida a Mljet. As praias que vimos eram lindas. É só dar uma estudadinha antes nos mapas e nos passeios que tem por lá.


 


     Chegou ao fim nossa excursão pela Croácia (total de 6 dias) e a partir de agora estávamos por conta própria rumo à Itália, que eu sonhava em conhecer desde os tempos da faculdade. Pegamos um voo da Croatia Airlines de Dubrovnik para Veneza e descemos em terras italianas. Finalmente poderia utilizar a única língua que estudei (pena que foi há mais de seis anos, mas deu para se virar bem). De fato, o italiano não é muito útil para viagens, a não ser na Itália, claro. Eu só queria começar a "parlar" logo.
  

 Assoviando em aeroporto: Volare - Domenico Modugno            

 


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
    
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


VENEZA


    Enfim, chegamos na Itália e começamos por uma das cidades mais turísticas do mundo. Veneza tem seu charme, sem dúvida. Afinal, onde mais você verá congestionamento de barcos ao invés de carros?
   Nos hospedamos em Marghera, que fica do lado oposto de Mestre. Ambas são ligadas tanto por trem como por ônibus à Veneza e os hotéis são muito mais em conta. A passagem de trem custa um pouco mais de 1 euro o trecho e em poucos minutos você chega neste lugar que está no imaginário de muitas pessoas.
    São Pedro estava inspirado no único dia que ficaríamos em Veneza. Sabíamos que seria pouco tempo, mas queríamos conhecer muitos lugares na Itália, então decidimos passar apenas um dia mesmo. Choveu muito neste dia e  frio estava quase insuportável. Logo, teremos que voltar à Veneza.
 
  

      Diante das condições que nos foram impostas, decidimos contratar o passeio do Vaporetto Dell'Arte. Por 28 euros por pessoa você tem direito a andar neste Vaporetto, que possui audioguia (menos em português) e dá direito a descer e subir em qualquer de suas paradas. Ele percorre todo o grande canal. A única desvantagem é que ele demora 40 minutos para passar e você não tem direito a andar nos outros meios de transporte da cidade. Mas a vantagem é que nunca está lotado, ao contrário de todos os outros transportes, e conta um pouco da história de alguns prédios.

   












   As gôndolas são uma atração à parte e conferem um visual inesquecível à Veneza. Não andamos, pois o tempo não permitiu, assim como não entramos nos prédios mais importantes pela mesma razão.

  

   
     O que recomendo é subir no Campanário (8 euros). Você terá uma visão incrível da cidade. Ficamos apenas uns 10 minutos, pois foi o frio mais intenso que já sentimos na vida. É, graças a São Pedro teremos que voltar à Veneza, sem dúvida.
 


 
   



    
       Pelo menos no fim do dia ele nos proporcionou um maravilhoso pôr do sol.



     Aqui faço um parênteses para comentar o incrível mundo dos trens regionais da Itália. Nossa primeira viagem de trem na vida foi em um trem regional italiano. Para começar, não há informação sobre o número nem o horário do trem e os funcionários que vendem passagens nos guichês não são dos mais simpáticos e pacientes para explicar como funciona. Para eles é óbvio, SÓ QUE NÃO! Bom, a princípio você pode pegar qualquer trem em qualquer horário para o destino desejado. Foi esta a conclusão que chegamos depois de muitos trens que pegamos. Só que cuidado com os indianos. Nada contra indianos, mas na Itália você deve ter cuidado com eles. Ao entrarmos no trem regional em Veneza com destino a La Spezia fomos abordadas por indianos, mal vestidos e sujos. Foram pegando nossas malas. Percebi que tinha algo estranho, mas não deu tempo de reagir. Eles colocaram nossas malas num bagageiro no alto e depois pediram dinheiro. A funcionária do trem dizia pra Mari "non va bene, non va bene", mas já era tarde. Nossas malas estavam lá em cima e nós 6 euros mais pobres. Então não deixe ninguém pegar suas malas dentro dos trens regionais.













       

CINQUE TERRE - A CEREJA DO BOLO

   
      Uns nove anos atrás eu vi uma revista que, na capa, tinha um amontoado de casinhas coloridas na beira de um penhasco e fiquei apaixonada. Desde então estava na minha lista de lugares a serem visitados. Naquela época não se falava muito nele aqui no Brasil. Hoje muitas pessoas com certeza já ouviram falar de Cinque Terre. Em 1997 foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Quando um lugar possui este título pode ter certeza de que a visita será recompensadora. E em 1999 foi instituído o  Parque Nacional de Cinque Terre.
 
      Cinque Terre é um conjunto de terra que compreende as comunas de Riomaggiore, Vernazza, Monterosso e os distritos de Corniglia e Manarola. É a principal atração turística da região da Riviera Ligure. O mais difícil foi encontrar lugar para ficar, pois os preços de hospedagem para ficar em uma das "terres" é bem salgado. Depois de muito pesquisar, resolvemos economizar e nos hospedar em La Spezia, que fica bem perto e possui fácil acesso ao Parque. A cidade não é muito turística, o que nos agradou bastante. Mas se você estiver com um orçamento que permita, recomendo que se hospede em qualquer uma das "Terres", pois poderá curtir o lugar depois que a maioria dos turistas for embora. E, acredite, são muito turistas e a maioria é europeu, pois existem algumas trilhas a serem feitas no Parque e, falou em trilha, o europeu já está com seus bastões para caminhada nas mãos. É incrível como eles gostam de caminhar em trilhas. Já tinha observado isto quando estava me aventurando em uma das trilhas da Patagônia Chilena.
     Bom, pegamos um trem de Veneza com destino a Florença e outro de Florença a La Spezia. Chegamos um pouco depois do meio dia e ainda deu tempo de fazer o passeio de barco até Monterosso, a última "terre". Recomendo o passeio de barco, que sai do Golfo dei Poeti e é feito pelo Consorzio Marittimo Turistico, pois você terá a melhor visão do Parque. Ida e volta custou 18 euros (ticket para tarde), mas se você pegar o barco pela manhã custará 25 euros com a vantagem de ficar o dia todo. No passeio da tarde o barco ia até Porto Venere (considerada a sexta terre) e tínhamos que trocar e ir para um barco menor.  Quando o barco fez a curva e comecei a avistar Riomaggiore (a primeira terre no sentido La Spezia - Monterosso), abri aquele sorriso.
     Nem acreditava que finalmente estava ali.   Depois veio  Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare, onde pudemos descer e ficar por cerca de uma hora.
     No dia seguinte fizemos o percurso de trem. Adquirimos o passe de um dia  para o Parque (12 euros), que dá direito a descer e subir em qualquer uma das "terres" e à van, muito útil em Corniglia, pois para chegar até ela ou você sobe mais de 300 degraus ou vai de van mesmo. O trem leva cerca de 5 minutos entre cada uma das terres e, no nosso caso, estava sempre lotado. Resolvemos descer em cada uma delas na ida e na última delas voltar direto até La Spezia. Decisão acertada, diga-se de passagem.
     O lugar é único no mundo, com certeza, e cada uma das terres tem o seu charme próprio. Manarola foi a que mais gostei...linda, linda, linda!; Corniglia é a única que não tem acesso direto ao mar; Monterosso é a melhor para quem quer curtir uma praia; Riomaggiore parece ser a mais "apertada" entre os penhascos e Vernazza tem um visual incrível. As principais trilhas, como a via dell'amore, estavam fechadas em decorrência dos desabamentos ocorridos no ano de 2011. Só tinham duas trilhas abertas - Corniglia - Vernazza; e Vernazza - Monterosso (as mais longas e cansativas), mas não fizemos nenhuma delas, pois queríamos curtir as "terres" mesmo e não estávamos com o "espírito trilheiro" europeu.
Corniglia

Corniglia
Corniglia

Manarola

Manarola


Vernazza




    
melhor sorvete de todos



   

         O melhor sorvete da viagem, na minha opinião, foi o de Vernazza. Ai que saudades do sorvete!!!!! Nada é melhor do que o sorvete italiano, por isso coma todos os que você puder.

    







  


Riomaggiore


Monterosso al Mare

Monterosso al Mare
     Cinque Terre é outro daqueles lugares que você diz: eu vou voltar para cá com certeza! As imagens falam por si só.
       Chegou a hora de dizer "arrivederci Cinque Terre. Ci vediamo presto". Florença nos aguarda.